Ex-chefe da Receita Federal de Itajaí é suspeito de causar R$ 10 milhões em prejuízos em esquema de corrupção
02/06/2026
(Foto: Reprodução) PF investiga ex-chefe da Receita Federal de Itajaí
Um ex-chefe da Receita Federal em Itajaí, cidade que abriga um dos maiores portos do Brasil, é investigado por facilitar processos alfandegários em benefício de empresários e causado R$ 10 milhões em prejuízos. Marcus Vinícius Nali Simioni foi alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira (2).
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e São Paulo em endereços vinculados ao servidor investigado, familiares e pessoas físicas e jurídicas ligadas ao comércio exterior.
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A operação foi batizada de "Benaia" e também cumpre ordem de afastamento de funções públicas do servidor público envolvido no esquema. O g1 tenta localizar a defesa dele.
Marcus Vinícius Nali Simioni Filho, ex-chefe da Receita Federal em Itajaí
Reprodução
Balanço parcial das apreensões, divulgado às 18h:
15 relógios de luxo
25 imóveis
Aproximadamente 19 veículos
R$ 515 mil
10 notebooks e 4 HDs
15 celulares.
Além disso, foram bloqueadas 65 contas bancárias de diversas instituições financeiras. Foi encontrado registro de conta no exterior e localizados contratos imobiliários de gaveta. A operação contabiliza os valores apreendidos em moeda estrangeira.
Investigação
Conforme a Receita Federal, as investigações começaram na corregedoria do órgão que suspeitou da incompatibilidade entre o padrão de vida de Marcus e a remuneração oficial dele.
Também foram apurados indícios que indicam eventual favorecimento a intervenientes aduaneiros e o recebimento de vantagem indevida em razão dessas relações.
Segundo a PF, o suspeito possuía poder para facilitar processos no órgão devido ao cargo que exercia e recebeu, indevidamente, ao menos R$ 2 milhões para agir em favor de empresários nos processos alfandegários.
Em nota, a Receita Federal afirmou que o montante suspeito de vantagens recebidas, direta ou indiretamente, supera os R$ 5 milhões.
"As investigações apontam que despachantes, consultorias, empresas importadoras e operadores logísticos poderiam fazer parte do esquema, que teria resultado em vantagens recebidas, direta ou indiretamente, pelo servidor. Os valores teriam sido repassados através de pagamentos em dinheiro, depósitos e pagamento de despesas pessoais, como aluguéis, faturas de cartão e aquisição de bens", disse.
Com o aprofundamento das investigações, os policiais federais descobriram que o suspeito possuía empresas em nome de familiares e as utilizava para dissimular, ocultar e dar aparência de legalidade aos valores recebidos.
Os crimes investigados são crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Quem é o ex-chefe da Receita Federal alvo de operação?
Graduado em direito e comunicação social, Marcus é auditor-fiscal da Receita Federal e tomou posse como chefe do órgão em Itajaí em maio de 2022, permanecendo na função até 2025.
PF deflagra operação contra ex-chefe da Receita Federal de Itajaí suspeito de facilitar processos para empresários
Polícia Federal/Divulgação
O que disse a Receita Federal sobre a ação
A Receita Federal destaca que a integridade é um valor precioso e inegociável e atua de forma contínua na identificação e repressão a condutas que atentem contra a ética no serviço público, contribuindo para um ambiente de negócios mais justo e transparente.
A participação de despachantes, operadores logísticos e demais intervenientes em esquemas como este prejudica enormemente a regularidade da fiscalização aduaneira, fragilizando a segurança relacionada ao controle de cargas e criando uma concorrência desleal em relação aos operadores do comércio exterior que atuam na legalidade.
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